HOMENAGEM PÓSTUMA III – RUI NOVAIS
GOMES DE MATOS, EXEMPLO DE INTEGRAÇÃO AFETIVA
RUI DE SOUZA NOVAIS
Se tivéssemos que definir a posição de Santino Gomes de Matos no seio da comunidade uberabense, nos o faríamos com apenas duas palavras: – integração afetiva.
Quando chegou a Uberaba, há mais de 40 anos, a cidade guardava ainda dimensões provincianas no plano de sua atividade especifica: a filologia. Latinistas e gramático do porte de Joaquim Dias, Manoel Felipe de Souza e Athanásio Saltão viviam somente na recordação de um reduzido número de intelectuais, seus antigos alunos. Não deixaram sucessores.
A presença de Gomes de Matos marcou um verdadeiro reencontro de Uberaba com o estudo profundo e a pesquisa atenta no campo da filologia. Abria-se outro capítulo na história cultural da cidade.
Gomes de Matos trazia para os uberabenses, além da contribuição de um talento superior, a atividade intelectual bem organizada e planificada, o trabalho metódico realizado em extensão e profundidade.
O professor que aconselhava a leitura de Machado de Assis e dos escritores modernos, de preferência a obras didáticas, como fator essencial para formação de estilo e correção gramatical, renovou, arejou, dinamizou nosso panorama de ensino.
Mas no educador de espírito universal, acompanhando de perto a evolução da pedagogia e da ciência da linguagem, no admirável artista da palavra que tão bem se comunicava em prosa e verso com seus leitores, no jornalista de rara habilidade e equilíbrio, surgiu logo o uberabense de coração, que colocou o seu amor por esta cidade acima de seus interesses pessoais e das solicitações, tantas vezes renovadas, para sua transferência para os grandes centros do País, onde as suas atividades encontrariam campo mais propício e compensador.
A integração afetiva de Gomes de Matos nesta comunidade comandou sua atitude e suas decisões. Ficou. Ficou para sempre, com seu corpo guardado no solo uberabense e o seu nome na consciência cultural da cidade, como exemplo da força da inteligência aliada à seriedade do trabalho metódico e organizado."
Artigo publicado no "Lavoura e Comércio" em 15 de outubro de 1975.
