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Poemas
Oração dos Humildes
DEDICATÓRIA – À YONE – SANTINO GOMES DE MATOS
À Yone, o que de mais puro contiverem estas páginas, como oferenda de um amor que resume todo o meu estímulo e todo o meu ideal. Santino De Santino para Yone Dedicatória do livro Oração dos Humildes ©2023 – Todos os direitos reservados. Permitida a divulgação, desde que citada a autoria.
NA MANHÃ CLARA – Santino Gomes de Matos
O apito cresceu alto, como uma seta fina projetada, que varasse o forro de veludo da manhã. Espatifou-se. Os ecos transformaram-no em cacarias de som. Apesar disso, ficou gritando, dentro de mim, o seu grito ilimitado de distâncias. Quando foi? Quando será? A indecisão me tolhe e me equilibra, entre o passado e o futuro. Sei que vim, sei que sigo, que caminho, às vezes sem vontade, como um boneco desengonçado e feio, que obedece mal aos cordéis, num palco fantástico de autôm
CANÇÃO CARNAVALESCA – Santino Gomes de Matos
As vozes das meninas afinam com o ar limpo da manhã. Cantam canções carnavalescas. Mas o "lig-lig-lé" é apenas um pretexto para os sons, para o trinado claro e puro das gargantinhas entoadas e frescas. As crianças cantam como cantam as patativas. Por uma vocação de alegria. Porque sentem a alma leve harmonizar-se com as coisas. Porque querem um motivo rítmico de si mesmas, no ambiente que florescem com a sua presença. As canções carnavalescas passam pelos lábios das crianças,
Alma Ligeira das Trovas
REMENDO – Santino Gomes de Matos
A noite da alma se estende da lembrança à claridade, e o destino há quem remende com remendos de saudade. Do livro Céu Deposto – Alma Ligeira das Trovas ©2023 – Todos os direitos reservados. Permitida a divulgação, desde que citada a autoria.
INGENUIDADE – Santino Gomes de Matos
Ao céu deserto de anelos confio meus desatinos. As nuvens armam castelos e acolhem sonhos-meninos. Do livro Céu Deposto – Alma Ligeira das Trovas ©2023 – Todos os direitos reservados. Permitida a divulgação, desde que citada a autoria.
DESGRAÇA ALHEIA – Santino Gomes de Matos
Cantos tristes de gaiola, saudosos de verde ninho. E há gente que se consola com queixas de um passarinho. ©2023 – Todos os direitos reservados. Permitida a divulgação, desde que citada a autoria. Do livro Céu Deposto – Alma Ligeira das Trovas
Procissão de Encontros
TERNURA – Santino Gomes de Matos
Queria ser para ela o mágico tear dos sonhos ledos, em que a alma trabalha a sua tela sob a unção de místicos segredos. Queria ser essa impressão de luz, que lhe abre a flor de um riso tão gentil e põe um novo céu no azul anil dos seus olhos azuis. Queria ser a gota d'água dessa sede de amor, que a enche, às vezes, de uma estranha mágoa, do ingênio sofrimento de uma flor. Queria ser, no seu destino, todo efeito bom, toda causa boa, toda sensatez, todo desatino, toda impressão
EU SEI DE UNS OLHOS – Santino Gomes de Matos
Eu sei de uns olhos magos, sedutores, que nunca serão meus. Olhos profundos, vagos, cismadores, que vestem longos véus. São da cor das marés. Indecifráveis, ninguém pode entendê-los. Tais olhos, quanta vez, imperscrutáveis, tenho visto sem vê-los! Dizem amor? Talvez. Sei que me falam direto ao coração. Mas, se os busco, já fogem, já se calam, já céleres se vão. E a esteira de luz que, da passagem, a cintilar lhes fica, em minh'alma compõe uma miragem de seduções bem rica.
RESSURREIÇÃO – Santino Gomes de Matos
Não sei como nasceu essa loucura. Eu sei que havia em seu olhar turquesa um céu mais belo, um céu de iluminura, como em gala maior da natureza. Tive, a princípio, a sensação de altura, que há sempre em todo sonho de Beleza. Sobreveio, inquieta, essa tortura, esse bem, esse mal, essa estranheza. Talvez ainda seja amor. Não é tarde! O outono espalha folhas no meu chão, trago no peito um coração covarde. O que eu dera, porém, se conseguisse que num motivo novo de ilusão, dentro

REMENDO – Santino Gomes de Matos
A noite da alma se estende da lembrança à claridade, e o destino há quem remende com remendos de saudade. Do livro Céu Deposto – Alma Ligeira das Trovas ©2023 – Todos os direitos reservados. Permitida a divulgação, desde que citada a autoria.
INGENUIDADE – Santino Gomes de Matos
Ao céu deserto de anelos confio meus desatinos. As nuvens armam castelos e acolhem sonhos-meninos. Do livro Céu Deposto – Alma Ligeira das Trovas ©2023 – Todos os direitos reservados. Permitida a divulgação, desde que citada a autoria.
DESGRAÇA ALHEIA – Santino Gomes de Matos
Cantos tristes de gaiola, saudosos de verde ninho. E há gente que se consola com queixas de um passarinho. ©2023 – Todos os direitos reservados. Permitida a divulgação, desde que citada a autoria. Do livro Céu Deposto – Alma Ligeira das Trovas
Céu Deposto

Poemas inéditos
RECADO DE POESIA – Santino Gomes de Matos
Um recado de poesia entre o sonho e a realidade, atende a quem pressentia meios tons de amenidade. Não é a volta impossível ao enjoo de água doce do romantismo risível nas falsidades que trouxe. Obsessão da fantasia. O irreal em prosa e verso. O próprio leitor queria ser de si mesmo diverso. Palpava-se herói ou anjo, e, em escadas de jacó, subia qualquer marmanjo ufanado do ouro em pó. Mas agora é o contraste, o outro polo do exagero, cada qual com seu desgaste de tragédia se
UBERABA CENTENÁRIA – Santino Gomes de Matos
POEMA VERDE (À gameleira da praça Afonso Pena, que viu Uberaba nascer, em homenagem ao centenário de Uberaba – 2 de maio de 1956.) Vetusto tronco e clara mocidade, na fronde esmeraldina enchendo o céu! És um poema verde à eternidade do burgo que a teus pés alvoreceu. Viste-o nascer. E, agora, a imensidade da glória vegetal que Deus te deu contempla o centenário da cidade que a pompas de metrópole ascendeu. Não fôssemos fechadas criaturas, que fugas transcendentes não logramo
SONETO DA AUSÊNCIA – Santino Gomes de Matos
Eu – "nesta Costa d'África do Mundo", como dizia o magoado Nobre, sinto baixar a noite, em que me afundo, quando a distância o teu olhar me encobre. A cena do contraste fere fundo. Ai tão rico e por aqui tão pobre do sol qe se irradia almo e jucundo de ti, do teu amor – ouro sem cobre. A suadade, porém, anjo da guarda que vela pela sorte dos ausentes, ao meu lado, solícita, não tarda. E a sombra luminos domeu lar – tu e Cléo e Evandrinho aqui presentes – em via-láctea, se abr
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