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EU SEI DE UNS OLHOS – Santino Gomes de Matos

21 de fev. de 2024
1 min de leitura

Atualizado: 3 de set.


Eu sei de uns olhos magos, sedutores,

que nunca serão meus.

Olhos profundos, vagos, cismadores,

que vestem longos véus.


São da cor das marés. Indecifráveis,

ninguém pode entendê-los.

Tais olhos, quanta vez, imperscrutáveis,

tenho visto sem vê-los!


Dizem amor? Talvez.

Sei que me falam

direto ao coração.

Mas, se os busco, já fogem, já se calam,

já céleres se vão.


E a esteira de luz que, da passagem,

a cintilar lhes fica,

em minh'alma compõe uma miragem

de seduções bem rica.


São abismos que atraem para a morte,

esses olhos fatais.

Mas, se neles naufraga a minha sorte,

recebo a dor sem ais.


Doce é o veneno que esse olhar propina...

Será doce também

ter por mortalha uns olhos de menina,

que é todo o nosso bem.


Eu sei de uns olhos magos, sedutores,

que não olham para mim...

Olhos profundos, vagos, cismadores,

de mistérios sem fim.


De Santino para Yone

Do livro Procissão de Encontros

©2023– Todos os direitos reservados. Permitida a divulgação, desde que citada a autoria.

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