EU SEI DE UNS OLHOS – Santino Gomes de Matos
Atualizado: 3 de set.
Eu sei de uns olhos magos, sedutores,
que nunca serão meus.
Olhos profundos, vagos, cismadores,
que vestem longos véus.
São da cor das marés. Indecifráveis,
ninguém pode entendê-los.
Tais olhos, quanta vez, imperscrutáveis,
tenho visto sem vê-los!
Dizem amor? Talvez.
Sei que me falam
direto ao coração.
Mas, se os busco, já fogem, já se calam,
já céleres se vão.
E a esteira de luz que, da passagem,
a cintilar lhes fica,
em minh'alma compõe uma miragem
de seduções bem rica.
São abismos que atraem para a morte,
esses olhos fatais.
Mas, se neles naufraga a minha sorte,
recebo a dor sem ais.
Doce é o veneno que esse olhar propina...
Será doce também
ter por mortalha uns olhos de menina,
que é todo o nosso bem.
Eu sei de uns olhos magos, sedutores,
que não olham para mim...
Olhos profundos, vagos, cismadores,
de mistérios sem fim.
De Santino para Yone
Do livro Procissão de Encontros
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