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Poemas
Céu Deposto
REMENDO – Santino Gomes de Matos
A noite da alma se estende da lembrança à claridade, e o destino há quem remende com remendos de saudade. Do livro Céu Deposto – Alma Ligeira das Trovas ©2023 – Todos os direitos reservados. Permitida a divulgação, desde que citada a autoria.
INGENUIDADE – Santino Gomes de Matos
Ao céu deserto de anelos confio meus desatinos. As nuvens armam castelos e acolhem sonhos-meninos. Do livro Céu Deposto – Alma Ligeira das Trovas ©2023 – Todos os direitos reservados. Permitida a divulgação, desde que citada a autoria.
DESGRAÇA ALHEIA – Santino Gomes de Matos
Cantos tristes de gaiola, saudosos de verde ninho. E há gente que se consola com queixas de um passarinho. ©2023 – Todos os direitos reservados. Permitida a divulgação, desde que citada a autoria. Do livro Céu Deposto – Alma Ligeira das Trovas
PRESSENTIMENTO – Santino Gomes de Matos
Olha-me bem nos olhos, meu amor. Há momentos em nós que a Eternidade recolhe, e em outras vidas vai compor no imponderável da Felicidade. Do fundo de nós mesmos, onde a Dor bem cedo se instalou numa orfandade, arranquemos um lírio, ou qualquer flor, como um enfeite à nossa santidade. Porque se o sofrimento nos fez tristes, embora resignados e serenos, existo neles, como tu existes. E pressentindo os filhos bem felizes, aos nossos olhos, de ventura plenos, se apagarão as velha
CHUVA LÍRICA – Santino Gomes de Matos
Tu falas e um céu responde na alma da gente, feliz, que procura saber donde choveu tanta flor de lis. ©2023 – Todos os direitos reservados. Permitida a divulgação, desde que citada a autoria. Do livro Céu Deposto – Alma Ligeira das Trovas
SEPARAÇÃO – Santino Gomes de Matos
Como pássaros feridos, meus olhos voam aos teus, mas regressam devolvidos na angústia do mesmo adeus. ©2023 – Todos os direitos reservados. Permitida a divulgação, desde que citada a autoria. Do livro Céu Deposto – Alma Ligeira das Trovas
CONTRASTE – Santino Gomes de Matos
Bronzes fatais do Destino, com o tempo, descompassados: já cantou festas o sino que hoje me plange a finados. ©2023 – Todos os direitos reservados. Permitida a divulgação, desde que citada a autoria. Do livro Céu Deposto – Alma Ligeira das Trovas.
SIMBOLISMO – Santino Gomes de Matos
Cipreste, sócio da Morte, no cemitério proscrito, mas do talhe, no recorte, é lança para a Infinito. ©2023 – Todos os direitos reservados. Permitida a divulgação, desde que citada a autoria. Do livro Céu Deposto – Alma Ligeira das Trovas
JARDIM DO AMOR – Santino Gomes de Matos
Lírio esquivo, viva rosa, a audácia em sangue de um cravo. Tulipa negra, chorosa, saudade num peito escravo. ©2023 – Todos os direitos reservados. Permitida a divulgação, desde que citada a autoria. Do livro Céu Deposto – Alma Ligeira das Trovas
ESPONJA – Santino Gomes de Matos
Caminha a morte comigo, passo aqui, passo acolá. Do que faço, penso e digo, esponja de luz será. ©2023 – Todos os direitos reservados. Permitida a divulgação, desde que citada a autoria. Do livro Céu Deposto – Alma Ligeira das Trovas
CABEÇA-VERMELHA – Santino Gomes de Matos
Canta o galo de campina, mal o dia se descerra. Nota rubra de clarina, soldado que vence a guerra. ©2023 – Todos os direitos reservados. Permitida a divulgação, desde que citada a autoria. Do livro Céu Deposto – Alma Ligeira das Trovas
NATAL DA CRIANÇA POBRE – Santino Gomes de Matos
Menino-Deus de folhinha, à luz de um coto de vela. Vazia e triste mãozinha sonha o Natal da favela. ©2023 – Todos os direitos reservados. Permitida a divulgação, desde que citada a autoria. Do livro Céu Deposto – Alma Ligeira das Trovas
AVIÃO A JATO – Santino Gomes de Matos
Agulha-raio no espaço, que faz croché das distâncias... Eis o ideal do compasso, na fuga das minhas ânsias. ©2023 – Todos os direitos reservados. Permitida a divulgação, desde que citada a autoria. Do livro Céu Deposto – Alma Ligeira das Trovas.
TEUS BRAÇOS – Santino Gomes de Matos
A minha sorte de chumbo carrego nos ombros lassos. Tropeço, caio, sucumbo, mas ressuscito em teus braços. ©2023 – Todos os direitos reservados. Permitida a divulgação, desde que citada a autoria. Do livro Céu Deposto – Alma Ligeira das Trovas
MÃE E FILHO – Santino Gomes de Matos
O Anjo da Guarda celeste volve, ciumento, ao Senhor: "Sou demais, pois Tu lhe deste o Anjo da Guarda do Amor." ©2023 – Todos os direitos reservados. Permitida a divulgação, desde que citada a autoria. Do livro Céu Deposto – Alma Ligeira das Trovas.
NATAL GRÃ-FINO – Santino Gomes de Matos
Riquezas em profusão. Luzes, joias – um tesouro! É a sacrílega versão de Jesus em berço de ouro. ©2023 – Todos os direitos reservados. Permitida a divulgação, desde que citada a autoria. Do livro Céu Deposto – Alma Ligeira das Trovas
LUAR – Santino Gomes de Matos
Descamba o sol, e a saudade de palor nos enche a vida: é o luar da mocidade na hora velha da descida. ©2023 – Todos os direitos reservados. Permitida a divulgação, desde que citada a autoria. Do livro Céu Deposto – Alma Ligeira das Trovas
DEFINIÇÃO – Santino Gomes de Matos
Tens uns olhos de sereia que do encanto se livrasse, e o mar, queixoso, na areia, vencido, rojando a face... ©2023 – Todos os direitos reservados. Permitida a divulgação, desde que citada a autoria. Do livro Céu Deposto – Alma Ligeira das Trovas
SÔDADE NACIONÁ – Santino Gomes de Matos
A sôdade morde doce, vê unha de cafuné. É tá quá cuma se fôsse agúia feita de mé. ©2023 – Todos os direitos reservados. Permitida a divulgação, desde que citada a autoria. Do livro Céu Deposto – Alma Ligeira das Trovas
MORTE A VAREJO – Santino Gomes de Matos
Pulsa o relógio da sala, moendo a hora comprida, e o tique-taque me fala de um conta-gotas da Vida. ©2023 – Todos os direitos reservados. Permitida a divulgação, desde que citada a autoria. Do livro Céu Deposto – Alma Ligeira das Trovas
DESPEDIDA – Santino Gomes de Matos
A asa triste do teu lenço me palpita tais degredos, que sinto a vida em suspenso pender do adeus dos teus dedos. ©2023 – Todos os direitos reservados. Permitida a divulgação, desde que citada a autoria. Do livro Céu Deposto – Alma Ligeira das Trovas
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