JUVENAL ARDUINI
Atualizado: há 4 dias
"Uberaba, 28 de junho de 1975.
Estimado e inesquecível professor Santino.
Recebi sua carta do dia 21 deste mês. Li-a com verdadeira emoção. Revivi a longa e dolorosa peregrinação feita pelo caro amigo em busca de esclarecimento da enfermidade que, de novo, lhe sacrifica a saúde. Terminada a leitura, recolhi-me imediatamente para rezar pelo senhor.
E continuo, sobretudo na Missa, a pedir a Deus que o ajude a recuperar-se rapidamente.
Tenho a certeza de que Cristo há de reforçar-lhe as energias corporais e espirituais para que
se refaça quanto antes. E Deus lhe conserva a admirável têmpera pessoal que o caracteriza
e lhe confere extraordinária capacidade de reação.
Professor Santino, conte com minha permanente presença amiga. A distância geográfica, o senhor bem o sabe, não impõe distância na amizade, na compreensão e no espírito fraterno. Estarei sempre cercando seu leite hospitalar, comunicando-lhe a força de Deus, e garantindo-lhe, pela missão sacerdotal, a confortadora presença de Cristo. E o sofrimento dessa enfermidade há de converter-se em graça para sua vida pessoal, e também emoção fecunda para o crescimento de todo o coró da Igreja. Pois o sofrimento dos cristãos santifica a comunidade eclesial e eleva a consciência do mundo. Viva, prof. Santino, num clima de fé para que não s perca retalho algum do preciosos sacrifícios de sua vida.
Quer dizer-lhe que não há motivo para que o senhor peça desculpas, porque não pôde apresentar-me suas despedidas. Seria exigir demais. O senhor partiu por motivo de doença
e não por diletantismo. Somos nós que aqui ficamos, que havemos de preocupar-nos com o senhor nesse momento.
Realmente, senti sua ausência nas missas dos sábados. mas foi uma ausência que o fazia sempre lembrado. Espiritualmente, o senhor não deixou de estar conosco. E continuará como participante da nossa celebração cristão no altar.
Deixo-lhe, caro prof. Santino, sessas pobres palavras como expressão de minha amizade e profunda admiração pela sua pessoa, pelas suas grandes qualidades humanas e cristãs.
Aquilo que não consigo dizer-lhe por essa carta, vou dizê-lo diretamente a Deus.
Deus esteja com o senhor em todos os instantes. Recomendações afetuosas a todos os seus que são também meus. E Cristo o guarde no amor, na paz e na esperança.
Com inextinguível presença, seu irmão,
Juvenal Arduini.
Carta de Monsenhor Juvenal Arduini a Santino Gomes de Matos
............................................................................................................................................................
CRUCIFIXO DE HOSPITAL
Santino Gomes de Matos
(A meu amigo Monsenhor Juvenal Arduini).
Preside o Cristo na parede nua.
Entretanto, o esplendor de um sol nascente
o êxtase dos meus olhos faz que flua
da chaga em que Tomé pôs mão, descrente.
Lá fora, a vida, o burburinho, a rua.
No meu isolamento de doente,
a consciência em pânico recua
ao tempo do mordaz impenitente.
Peso tudo: a irrisão não é exemplo,
e satanás com largas reinações
na alma que se devera à Fé, por templo.
Mas no espanto de luz da Santa graça,
por um apostolado em redenções,
bendigo aos Céus que Cristo em mim renasça.
..........................................................................................................................................................
"Uberaba, 16 de outubro de 1998.
Estimada Maria Isabel Gomes de Matos
Agradeço-lhe, de coração, as antológicas palavras que sua generosidade quis enviar-me, porque me foi concedida a Medalha da Ordem do Mérito Legislativo, pela Assembleia de Minas Gerais.
O professor Santino Gomes de Matos é inesquecível. É presença viva. Encontrei-o em 1943. Fundamos o Instituto Superioir de Cultura em 1944, quando não. havia curso universitário em Uberaba. Mantivemos cursos livres de Filosofia e Literatura. Professor Santino assumiu a Literatura. E a partir daí, caminhamos juntos.
Suas palavras, Maria Isabel, foram lidas e relidas. E ficarão arquivadas entre meus documentos. E guardadas na perenidade de meu ser.
Com ternura de irmão,
Monsenhor Juvenal Arduini"


Juvenal Arduini (Conquista, 28 de novembro de 1918 – Uberaba, 14 de outubro de 2012). Em 1932, Juvenal Arduini deixou Conquista e veio para Uberaba estudar. Permaneceu em Uberaba por cinco anos estudando no Seminário São José e no Colégio Diocesano. Em 1937, foi para Belo Horizonte a fim de fazer o curso de Filosofia e Teologia no Seminário do Coração Eucarístico de Jesus. Foi ordenado padre em 8 de dezembro de 1942.
Reitor do Seminário São José, fundou o Instituto Superior de Cultura e a Academia de Letras do Triângulo Mineiro, onde ocupa a Cadeira n. 5. Participou da criação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Santo Tomás de Aquino, foi professor fundador da Faculdade de Medicina, da Faculdade de Ciências Econômicas, da Faculdade de Zootecnia, além de passar pela Faculdade de Enfermagem Frei Eugênio e pela Universidade de Uberaba.
Foi meme efetivo das seguintes associações: Societá Internazionale Tommaso d’Aquino, de Roma; International Society for Metaphysics, de Washington; World Phenomenology Institute, USA; Associación Católica Interamericana de Filosofia; Sociedade Brasileira de Filósofos Católicos e Associação Profissional dos Escritores do Estado de Minas Gerais.
Ao lado de intensa atividade intelectual, pedagógica e pastoral, trabalha com os doentes dos hospitais e busca o recolhimento na oração.


