DÉCIO SILVEIRA PINTO DE MOURA
Atualizado: há 2 dias
"São Paulo, 23 de fevereiro de 1946.
Saudações cordiais.
Na última vez em que estive com meu amigo José Lucas, estivemos a conversar sobre escritos e escritores. A prosa vagueava tanto enquanto também vagueávamos pelas ruas, mas centralizou-se, em seguida à nossa entrada na biblioteca, sobre um livro que eu não conhecia: Oração dos Humildes.
Lemos juntos várias poesias, porém eu não queria esquecê-las e foi por isso que naquela noite levei comigo o livro, por especial favor do meu companheiro.
Li-o, ou melhor, quase decorei-o, pois gostei e imensamente. Já devolvi o livro.
Já devolvi o livro. Procurei debalde em muitas livrarias, assim como também outras obras do mesmo autor; não me satisfizeram no desejo de possuí-las.
Tomado de impaciência, aqui vai esta buscar diretamente informes sobre quais os outros escritos de V. Sa. e as respectivas editoras.
Dedico toda a admiração ao porta-voz da Oração dos Humildes, desejando que ela seja cada vez mais ardente...
O Santo, um dia, acrescentará mais uma bem-aventurança no livro do Tempo:
– Bem-aventurados os humildes, porque deles será a paz... e o coração da humanidade.
Desde já muito agradecido, os meus mais sinceros protestos de estima e consideração.
Décio"
Carta de Décio Silveira Pinto de Moura a Santino Gomes de Matos
Décio Silveira Pinto de Moura. Psiquiatra, catedrático da Unicamp, revolucionou sistemas de tratamento psiquiátrico. Foi também jornalista e escritor.


