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JOCKEY CLUB DE UBERABA

25 de mar. de 2024
4 min de leitura

Atualizado: há 2 dias

Mensagem de condolências

"Uberaba, 27 de outubro de 1975.


Ilma. Sra.

Ione Passaglia Gomes de Matos


Levamos a conhecimento que a Diretoria do Jockey Club de Uberaba deliberou inserir, em ata, voto de profundo pesar pelo falecimento de Santino Gomes de Matos, ilustre cidadão, intelectual do mais alto gabarito, inesquecível por suas ações em prol da cultura, da educação, do desenvolvimento de Uberaba, e que enriqueceu por tantos anos os quadros deste clube.


Na mensagem de condolência à família, manifestamos nossa consternação pela lamentável ocorrência.


Ney Martins Junqueira – Presidente

Edmundo Rodrigues da Cunha Filho – Secretário"


Homenagem

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Homenagem de repercussão prestada ao Professor Santino Gomes de Matos, por autoridades e pessoas de destaque da sociedade uberabense, no Jockey Club, em 14 de março de 1945, por atuação destacada em prol da cidade. Presenças:

João Teodoro de Almeida

Ranulfo Borges do Nascimento

José de Oliveira Pereira

Celio Rodiruges da Cunha

Georges de Chirrée Jardim

Benedicto O. de Mello

Fábio Marques Soares

Américo Louzada Júnior

Jorão Rodrigues Cruvinel

Bolívar Liz da

Wilson Menezes de Andrade.

Antônio Machado Borges Júnior

José Rodrigues

Antônio Zeferino dos Santos Júnior

Ricardo Misson

Ariosvaldo Cunha Camps

Licínio Cruvinel Ratto

Hildo Toti

Gerson Prata


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Artigo da Seção Bibliográfica – Jockey Club

Céu Deposto

Depois da "Oração dos Humildes" e "Procissão de Encontros", Santino Gomes de Matos nos presenteia com outra mensagem da sua inteligência e da sua sensibilidade: Céu Deposto.


Há no volume, já preparado para o prelo, sonetos do mais puro parnasianismo, quadras simples e poemas modernos.


Algumas páginas apresentam versos livres e outras os que obedecem à medida rigorosa da métrica. Em todos eles, porém, o poeta se revela, fazendo-os poderosos instrumentos de expressão.


A verdade – podemos afirmar sem injunções de amizade ou acenos de simpatia pessoal – é que "Céu Deposto constitui uma obra poética amplamente realizada e esteticamente construída, com uma capacidade de comunicação que alcança o mais profundo recesso de nossa alma.


Lemos o volume com emoção, confessamos. Admiramos a beleza e a variedade de imagens de fino lavor; a cadência rítmica dos versos; a harmonia fidalga da forma, que faz de suas páginas, autênticas páginas de antologia.


Mas, acima de tudo, o que sentimos no livro foi a presença real de um grande poeta, de um coração aberto à beleza e à compreensão, capaz de libertar-se das preocupações quotidianas para procurar nas clareiras altas do espírito, à luz da inspiração, o verdadeiro sentido que a vocação imprimiu à sua vida.


O homem de nível cultural superior e de ideias arejadas, que há em Santino Gomes de Matos, não se perdeu nas exigências da rotina burocrática; não abdicou de sua verdadeira personalidade nas obrigações de todos os dias; não aburguesou o seu espírito. A prova é que aparentemente mergulhado no ambiente provinciano, brinda-nos com esse magnífico Céu Deposto, penetrando fundo na nossa sensibilidade.


Ressaltam nos seus poemas sentimentos profundos, que nada têm de comum com o sentimentalismo caricatural e mórbido que se insinua em tantas produções poéticas, para deturpá-las e amesquinhá-las. Revelam, ao contrário, em toda a sua plenitude, uma alma altiva e sensível, que não se limita a refletir apenas a fisionomia exterior dos temas, mas vai ao âmago de todos eles, à sua essência e significado.


"Cinzas", um sobeto, abre o volume. É uma joia parnasiana. Segue-lhe uma quadra – "Quid est?", que encerra uma definição amarga da vida, que "no começo não é nada... no fim, é nada tmabém."


Destacamos de "Viagem", poema de feição moderna, esses versos de singular beleza e significação:


"O som que investiu com as alturas,

a correr os espaos puros,

faz duo com vozes de liberdade

que, estranahmente, acordam em mim

e reagem do fundo de velhos silêncios resignados."


Vamos pelo volume afora, numa sucessão de encantamentos, extasiando-nos com o conteúdo emocional de uns poemas, com a sutileza e a sugestão de outros.


Há em um simples verso – o primeiro da quadra "Ciúme _ uma singular força evocativa, cheia de cor e harmonia, como se o artista da palavra substituísse a pena por sugestivo pincel d epintor: "Restos de sol com perfume".


Que poder de definição, que dolorosa evocação do escoar incessante da vida, nesta quadra que na su simplicidade encerra algo e prenunciador e terrível:

Morte a varejo

Pulsa o relógio da sala,

moendo a hora comprida.

E o tique-taque me fala

de um conta-gotas da vida.


em "Terra do Coração", em que seguimos com o autor "num passeio de sol ao sol da mocidade!" ,há versos que podem ser comparados aos melhores já escritos na língua portuguesa, como os do terceto que a seguir reproduzimos:

"É tão aquele céu de luz e cor e aroma.

com cheiro matinal de rosa e vinrgindade,

a minha alma resguarda, em luxo de redoma.


Poucas verzes a música das palavras nos proporcionou tanta emoção. O poder expressivo de Céu Deposto não alcança, todavia, apenas a vida emocional. Expressa também ideias, situando Gomes de Matos no plano em que se moveram vultos do porte de Antero de Quental, em Portugal.


O novo livro de Gomes de Matos, a ser dentro em breve publicado, está destinado a ter um curso vitorioso nas letras pátrias, como obra de real inspiração e de alta perfeição estética.


Queremos, de nossa parte, saudar desde já esse triunfo que sabemos legítimo, na justa consagração do poeta.









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