VIRGÍLIO FIRMEZA
Atualizado: há 2 dias
"Fortaleza, 18 de abril de 1940.
Promotoria de Justiça
Prezado Santino.
Abraços.
Constituiu para mim motivo de grande prazer o recebimento, dias atrás, do formoso livro de poemas que tiveste a amável lembrança de enviar-me dessa longínqua Uberaba, de Minas.
Anteriormente, tivera já oportunidade de ler uma crônica do Austregésilo de Ataíde a respeito de 'Oração dos Humildes', sabendo então onde estavas a residir, naturalmente dentro do sacerdócio do magistério. Depois dessa agradável noticia evocadora do bom amigo e excelente companheiro do Crato, veio-me às mãos seu livro e agora pude ler essa nova produção de tua inteligência.
E assim foi que vivi momento de consoladora alegria espiritual, sentindo no meu espírito cheio de doutrinas jurídicas e textos de leis, o alívio de tua inspiração a produzir uma feliz emoção pouco conhecida.
Com os meus agradecimentos, portanto, pela tua oferta, um forte abraço de parabéns, com a esperança que nutro de que me darás mais uma oportunidade de notícias mais completas,
Do ex-corde,
Virgíliio Firmeza."
Carta de Virgílio Firmeza a Santino Gomes de Matos"
"Fortaleza, 16 de junho de 1940.
Prezado Santino.
Com uma satisfação toda natural recebi faz poucos dias a sua estimada carta de 23 de maio findo, assim como o número de aniversário da sua "Gazeta".
Li a ambos com a atenção merecida, constatando, de logo, que a certeza de sua vitória nessa área não poderia padecer dúvida, sabedor como eu era e sou dos brilhantes recursos que a inteligência penetrante do prezado amigo teria de conseguir.
Já trabalhei na imprensa e sei quanto custa manter-se um jornal, embora modesto. Minas, e com ela o Triângulo Mineiro em que Uberaba se situa, foram assim justos e sábios na boa acolhida que souberam dar ao bravo nordestino, que engrandece a terra mater, embora longe dela.
Do que vi, entretanto, tive uma estranhesa: da fotografia do Santino de hoje, que me pareceu sensivelmente modificado, no aspecto físico, do que conheci no Crato. O que vale é que foi uma modificação para melhor, em que deve ter influído muito esse clima magnífico da velha Minas.
Quanto a mim, a vida vai em correndo também sem maiores embaraços, entregue aos serviços da Promotoria e da advocacia, e às vezes também do magistério. Casado há dois anos e meio com uma moça de Fortaleza, considero ter encontrado o meu ponto de apoio espiritual na vida, e desde 1935 não voltei mais ao Crato, apesar do progresso grande por que tem passado.
Relativamente ao endereço do Filgueiras, um meu grande amigo, pode ser feito de duas maneiras: Redação do O Povo ou Instituto Lourenço Filho, do qual, juntamente com um redator daquele jornal, é diretor. Filgueiras é, sem dúvida, como você o disse, um dos legítimos valores do Ceará moço, seja como poeta e artista, seja como educador.
Nestas rápidas linhas, meu caro Santino, fica, portanto, mais uma vez, demonstrada a minha imensa satisfação por tê-lo 'encontrado' e com o testemunho mais vivo da minha simpatia e amizade, faço os melhores votos pelo seu êxito sempre crescente nessa nova terra de lutas e de vitórias.
Cordialmente,
Virgílio Firmeza"
Trecho de carta de Virgílio Firmeza a Santino Gomes de Matos em16 de junho de 1940
Virgílio Firmeza (Fortaleza: 10 de agosto de 1907 – 27 de abril de 1991). Advogado, foi inspetor junto à faculdade de Direito, sucedido por Paulo Sarasate. Foi promotor de justiça na cidade do Crato e em Fortaleza, procurador-geral do Estado do Ceará e presidente do Conselho Penitenciário do Estado. Desembargador do Tribunal de Justiça do Ceará, permaneceu na função por mais de um quarto de século, tendo sido seu presidente em três mandatos. Também se dedicou com sucesso a atividades jornalísticas.




