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O VAZIO – Santino Gomes de Matos

  • Maria Isabel Gomes de Matos
  • 11 de out. de 2022
  • 1 min de leitura

Atualizado: 25 de jan. de 2024

O vazio veio das profundezas do nada

e cavou abismos engolidores em minha vida.


Desejos, aspirações e impulsos de ser

hão de dar sempre nesta zona de vácuo.

Sinto tentáculos de polvo no meu coração.

Vejo bocas de trevas abertas no meu caminho.

E em toda a parte o vazio...


O vazio, que envolve os domínios do meu ser,

que anula os estos da minha coragem

e dá de beber, com o sangue das minhas veias,

às máquinas danadas de sucção,

como os tentáculos dos polvos.


Todo chão que piso é de "terra caída".

Todo voo que tento é um ensaio frustro

no vácuo que se abre, para castigá-lo de queda.

O vazio... por toda a parte o vazio.


E me vejo tão sem mim,

tão vago, tão inútil, nessa ambiência, sem atmosfera,

que não procuro sequer desagravar,

com um gesto de revolta,

o desespero fundo dos desarraigados da Vida.


Do livro Procissão de Encontros

©2023 – Todos os direitos reservados. Permitida a divulgação, desde que citada a autoria.



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