PEREGRINO – Santino Gomes de Matos
Atualizado: 16 de ago.
Bem sei que vem de muito essa jornada,
na incerteza do bem que em vão procuras.
Do bordão, ao som cavo, pela estrada,
semeias prantos, colhes amarguras.
Não te responde o céu à voz magoada.
Em socalcos, grotões, sombrias luras,
buscaste, mas debalde, uma pousada,
e dentro de ti próprio te enclausuras.
Ao vento, ao frio, à tempestade exposto,
– estafermo da dor – errando vais,
se é sol nado, que importa se é sol posto?
A luz do dia não te aclara a alma
nem mais trevas também, certo, lhe traz
a noite tenebrosa, nem mais calma.
Do livro Oração dos Humildes
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