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PEREGRINO – Santino Gomes de Matos

13 de out. de 2022
1 min de leitura

Atualizado: 16 de ago.

Bem sei que vem de muito essa jornada,

na incerteza do bem que em vão procuras.

Do bordão, ao som cavo, pela estrada,

semeias prantos, colhes amarguras.


Não te responde o céu à voz magoada.

Em socalcos, grotões, sombrias luras,

buscaste, mas debalde, uma pousada,

e dentro de ti próprio te enclausuras.


Ao vento, ao frio, à tempestade exposto,

– estafermo da dor – errando vais,

se é sol nado, que importa se é sol posto?


A luz do dia não te aclara a alma

nem mais trevas também, certo, lhe traz

a noite tenebrosa, nem mais calma.


Do livro Oração dos Humildes

©2023 – Todos os direitos reservados. Permitida a divulgação, desde que citada a autoria.


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