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Poemas
De Santino para Yone
PRESSENTIMENTO – Santino Gomes de Matos
Olha-me bem nos olhos, meu amor. Há momentos em nós que a Eternidade recolhe, e em outras vidas vai compor no imponderável da Felicidade. Do fundo de nós mesmos, onde a Dor bem cedo se instalou numa orfandade, arranquemos um lírio, ou qualquer flor, como um enfeite à nossa santidade. Porque se o sofrimento nos fez tristes, embora resignados e serenos, existo neles, como tu existes. E pressentindo os filhos bem felizes, aos nossos olhos, de ventura plenos, se apagarão as velha
AUSTREGÉSILO DE ATHAYDE
"Oração dos Humildes! Quanta simpatia não nos merecem aqueles que nos mandam uma mensagem de poesia! Sonham os poetas com a glória dos...
TERNURA – Santino Gomes de Matos
Queria ser para ela o mágico tear dos sonhos ledos, em que a alma trabalha a sua tela sob a unção de místicos segredos. Queria ser essa impressão de luz, que lhe abre a flor de um riso tão gentil e põe um novo céu no azul anil dos seus olhos azuis. Queria ser a gota d'água dessa sede de amor, que a enche, às vezes, de uma estranha mágoa, do ingênio sofrimento de uma flor. Queria ser, no seu destino, todo efeito bom, toda causa boa, toda sensatez, todo desatino, toda impressão
EU SEI DE UNS OLHOS – Santino Gomes de Matos
Eu sei de uns olhos magos, sedutores, que nunca serão meus. Olhos profundos, vagos, cismadores, que vestem longos véus. São da cor das marés. Indecifráveis, ninguém pode entendê-los. Tais olhos, quanta vez, imperscrutáveis, tenho visto sem vê-los! Dizem amor? Talvez. Sei que me falam direto ao coração. Mas, se os busco, já fogem, já se calam, já céleres se vão. E a esteira de luz que, da passagem, a cintilar lhes fica, em minh'alma compõe uma miragem de seduções bem rica.
RESSURREIÇÃO – Santino Gomes de Matos
Não sei como nasceu essa loucura. Eu sei que havia em seu olhar turquesa um céu mais belo, um céu de iluminura, como em gala maior da natureza. Tive, a princípio, a sensação de altura, que há sempre em todo sonho de Beleza. Sobreveio, inquieta, essa tortura, esse bem, esse mal, essa estranheza. Talvez ainda seja amor. Não é tarde! O outono espalha folhas no meu chão, trago no peito um coração covarde. O que eu dera, porém, se conseguisse que num motivo novo de ilusão, dentro
PRESENÇA – Santino Gomes de Matos
Quando os passarinhos dormirem e nunca mais acordarem, nas árvores de estalactites, ainda virá do teu peito o canto louro da derradeira manhã. E será dos teus olhos, feitos lacrimais de água viva, que brotará a orvalhada dos vergéis, para que a última flor escondida se contemple em Amor Perfeito. Nos espelhos baços dos lagos vidrados e mortos, ainda será a tua face o sentido do espírito que paira. E o anélito do teu coração correrá mansidões nos céus convulsos, à maneira das
DEDICATÓRIA – À YONE – SANTINO GOMES DE MATOS
À Yone, o que de mais puro contiverem estas páginas, como oferenda de um amor que resume todo o meu estímulo e todo o meu ideal. Santino De Santino para Yone Dedicatória do livro Oração dos Humildes ©2023 – Todos os direitos reservados. Permitida a divulgação, desde que citada a autoria.
INGENUIDADE – Santino Gomes de Matos
Vou ungir-me daquela ingenuidade que foi o meu celeiro de esperanças. E fecharei os olhos para não ver o ódio e a dor, agudos como lanças. E a vileza e o desgosto e o padecer e tudo mais do mundo e tudo mais da vida! Quero encontrar meu reino de quimeras (Está perdido há tanto tempo, tanto!) E me virá a luz de altas esferas. E hei de sonhar ao som de um acalanto, tranquilamente, ingenuamente. Já coloquei no nicho de meu peito tua imagem de santa. Teu riso, teu olhar, esse teu
OLHOS DE REVELAÇÃO – Santino Gomes de Matos
Faz tanto tempo já! Há distâncias aflitas de permeio. Há uma vida de íngremes caminhos, há um destino aberto como um veio de águas salobras, de salobros vinhos, que enchem diariamente a minha taça para o instante que vem, para o instante que passa! Faz tanto tempo já! Eu era então o tímido menino que numa noite clara de São João procurava saber o meu destino na água encantada da revelação. A lua na corrente se banhava. Sobre a água de mistério, debruçado, nem sei dos sonhos q
REDONDILHAS – Santino Gomes de Matos
O tempo fez-se de bruma, da mesma cor da ternura, com que no peito se estruma a flor de toda ventura. Tua lembrança tão clara, que lembra a taça dos lírios, entra a minh'alma e lhe sara ânsias, tédios e martírios. Dias tais, sem arrebol, há quem lamente, por vê-los. Eu não – pois tenho o meu sol no louro dos teus cabelos. Enganos verdes, no mar, disfarçam rochas e escolhos... Mas sempre me hei de fiar no verde-claro de seus olhos. De Santino para Yone Do livro Procissão de E
INSTANTE SUPREMO – Santino Gomes de Matos
Tu não disseste nada e eu nada disse, naquele encontro a sós, fortuitamente, em que o acaso nos fez a alcovitice de deixar-nos sentados frente a frente. Pois ficamos os dois nessa estroinice das frases soltas, desconexamente, com medo de que à boca nos subisse a confissão mais louca e mais fremente. Até que aquele instante de mudez, profundo, denso de emoções contidas, como um hiato, entre nós dois se fez. E o gesto neutro de um olhar a esmo acolheu-nos as ânsias comovidas do
BONEQUINHA LOURA – Santino Gomes de Matos
Ó bonequinha loura a tua boca é breve, como um suspiro em flor. Ó bonequinha loura, quem te fez de neve, se à neve fria não aquece o amor? Ó bonequinha loura, quem te fez de lua, lua de inverno, assim gelada e alva, da alvura-sonho que é só dela e tua, ó bonequinha loura, ó minha estrela d'alva! E o olhar lavado de um azul tão doce... Bem o queria para o meu olhar. Meu olhar triste que consigo trouxe a cor de assombro de revolto mar. Ó bonequinha loura, brinca no meu sonho, q
O QUE EU AMO EM VOCÊ – Santino Gomes de Matos
O que eu amo em você é a luz da própria vida, é tudo que não tive, é tudo que não tenho, para encher a grandeza comovida de um destino pesado como um lenho. O que eu amo em você é a esperança louca de um futuro feliz, que me anda a fugir da alma para a boca e que a boca não diz. O que eu amo em você é o mundo de alvoradas que o seu olhar ao meu olhar desdobra. E os pequeninos nadas, que me tornam feliz, do que lhe sobra. O que eu amo em você é essa ventura, que eu quereria in
DEDICATÓRIA – À YONE – SANTINO GOMES DE MATOS
Não falta a qualquer treva um raio que redime. És no meu horizonte a Estrela do Pastor, que guia para o céu e a vida desoprime do peso de um castigo, em círculos de dor. Estes versos são teus. E tudo mais que exprime força de afirmação ou sopro de valor nesta alma amarga e frágil como um vime, que vives a compor, compor e recompor. Em nosso encontro tive a impressão de espanto de uma ressurreição. Como que por encanto, senti asas de novo em minh'alma cativa. E eu, deserto,
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